Mensurar
as competências técnicas e comportamentais de
um funcionário não é tarefa das mais
fáceis, principalmente quando a análise é
feita sob um único ponto de vista. No caso do chefe
que avalia um subordinado, por exemplo, o resultado pode ficar
longe do ideal, pois vários fatores como preferências
e preconceitos podem influenciar no processo. Por este motivo,
cresce nas corporações um método de avaliação
que envolve, além dos superiores, colegas, pares, clientes
e da auto-avaliação. Trata-se da chamada Avaliação
360 Graus ou Avaliação de Múltiplas Fontes.
O objetivo do método é obter uma visão
"panorâmica" dos resultados que os colaboradores
conseguem para a empresa, além de apresentar seus pontos
fortes e fracos. Em suma, ele ajuda o profissional a detectar
suas falhas e o motiva a corrigi-las a tempo. A psicóloga
Eliane Dalla Coletta, especialista em gestão de pessoas,
afirma que a prática surgiu com a necessidade do desenvolvimento
de competências que estivessem alinhadas à estratégia
da organização, com foco no crescimento e aprendizado
contínuo.
Segundo ela, cada empresa utiliza o método da maneira
que entende ser o mais adequado para sua cultura, estágio
de desenvolvimento e maturação na gestão
de pessoas. "A organização define e divulga
previamente as competências que espera da equipe, os
objetivos da operação, sua abrangência,
benefícios e riscos, bem como se o foco estará
no desenvolvimento pessoal ou profissional, entre outras premissas",
enumera.
O processo
A especialista explica que na 360 Graus, geralmente, cada
funcionário faz uma auto-avaliação, escolhe
dois ou três subordinados, dois clientes, um superior
hierárquico imediato, um superior corporativo, dois
ou três parceiros como fornecedores, por exemplo. Esta
escolha deve ser corroborada e negociada com o superior imediato.
Definida a rede, os avaliadores recebem treinamento específico
do que irá avaliar e como deverá proceder. Em
alguns casos, há empresas que preferem que o anonimato
dos avaliadores seja garantido para evitar que as pessoas
deixem de agir com naturalidade, além de evitar possíveis
constrangimentos.
Quando o circuito das avaliações ou o período
se encerra, os dados são consolidados por um sistema
interno ou uma consultoria externa que emite o relatório
final de como o avaliado se percebe e como os outros o percebem.
Com isso, é realizada uma entrevista de feedback pelo
superior imediato ou por um comitê, onde são
analisados os resultados. A partir de então, um Plano
de Desenvolvimento Individual é elaborado, projeto
este que deve entrar em execução e ter follow-up
contínuo. "Na minha experiência, esta é
uma das ferramentas mais eficazes e onde pude observar resultados
concretos de mudança de comportamento nas lideranças",
acredita.
O diretor do Grupo AncoraRh, consultor de empresas e palestrante,
Rogério Leme, explica que a Avaliação
360 Graus, além de permitir que o avaliado possa compreender
exatamente seus comportamentos, sejam eles adequados ou não,
aponta com quais grupos ele tem determinado tipo de relacionamento.
Como exemplo, ele cita um profissional que considera que expõe
suas idéias de forma clara e objetiva, assim como seu
chefe, mas este mesmo comportamento pode não ser percebido
por seus subordinados. Isso significa que o foco do desenvolvimento
desta consulta deve ser direcionado quando ele se relaciona
com tais subordinados.
Portanto, o método traz muito mais precisão
nas ações de treinamento e de desenvolvimento,
porque é focado e direcionado, através de um
feedback claro, objetivo, preciso e estruturado. "Ele
tem o propósito de aumentar o nível de consciência
do colaborador para que possa compreender como seus defeitos
e qualidades afetam as pessoas, além de identificar
especificamente qual o comportamento a ser trabalhado e em
quais grupos isso ocorre", observa.
Fonte: UOL com Ascom do Senac Paraíba |