Parece estranho
dizer que é preciso se proteger da luz do escritório,
em sua maioria, as emitidas pelas lâmpadas fluorescentes
ou as chamadas luz fria. Mas não é. Essa conduta
é recomendada por dermatologistas. Para se ter uma
idéia, de acordo com o FDA (Food and Drug Administration)
- órgão norte-americano que fiscaliza medicamentos
e alimentos - oito horas de exposição à
luz artificial, usada em espaços fechados, equivale
a 1 minuto e 20 segundos de exposição solar
em um dia claro de verão.
Pouco, é verdade, se formos analisar isoladamente.
Mas temos que pensar que são anos a fio dentro desses
ambientes, ou seja, 29 minutos por mês (supondo que
a pessoa trabalhe de segunda a sexta) e ao final de cada ano
equivale a ficar 5 horas e 48 minutos sob o sol. Agora, depois
de calcular o tempo de exposição em um ano,
podemos perceber que não é tão insignificante
assim cada minuto por dia.
Portanto, já que o efeito é cumulativo, vale
a pena acreditar e se proteger. "A diferença entre
as duas luzes, a solar e a artificial, está na quantidade
e intensidade de raios ultravioletas emitidos. A radiação
da luz dos escritórios é bem mais baixa, mas
temos que considerar que esse contato durante décadas
é que representa o risco", explica a dermatologista
Carolina Ferolla, de São Paulo.
Apesar de não existir nada comprovado cientificamente,
os poucos registros clínicos organizados sobre o assunto
apontam que entre os principais danos da luz artificial sobre
a cútis está a pigmentação cutânea.
"Faz sentido, pois ela também age no melanócito,
célula produtora de melanina, cuja função
é dar cor à pele", afirma o dermatologista
Adilson Costa, chefe do Ambulatório de Dermatologia
Estética e Acne da Pontifícia Universidade Católica
de Campinas (Puccamp). "Com isso, as temidas manchas,
responsáveis pelo envelhecimento cutâneo, podem
ser estimuladas e se estabelecerem na pele", justifica
o médico, que avisa ainda que para retirar esses sinais
é preciso tratamento dermatológico.
"Os danos são, ainda que em escalas muito menores,
os mesmos causados pelo sol: lesão celular e formação
de radicais livres, o que acaba causando envelhecimento precoce",
sintetiza a dermatologista Maria Aldora Cruz, coordenadora
do Ambulatório de Dermoestética do Centro de
Estudos da Sociedade Brasileira de Dermatologia Estética
do Rio de Janeiro. A médica faz um alerta: "além
das luzes do teto, deve-se tomar cuidado também com
as luminárias de mesa, que geralmente têm luz
fria e ficam muito próximas à face; e com a
exposição excessiva na frente do computador,
pelo mesmo motivo".
Proteção máxima
Para entender melhor como as chances de danificar a pele aumentam
sob a luz fluorescente, é preciso falar o essencial:
ela emite raios ultravioleta A, assim como o sol. Mas como
já foi dito, em quantidades significativamente mais
baixas, porém o suficiente para comprometer a saúde
da cútis em longo prazo. E já que os danos existem
é preciso se cuidar. Nesse caso, a proteção
é simples: basta lançar mão de um bom
protetor solar, pois ainda não se tem notícia
de um cosmético específico para proteger da
luz artificial.
"O fator de proteção deve ser no mínimo
30, já que normalmente as pessoas não adotam
a quantidade, a freqüência e os intervalos de reaplicação
necessários para uma proteção eficiente
no dia-a-dia", esclarece Carolina Ferolla. "Já
para a pele negra, que contém mais melanina, que nesse
caso funciona como um mecanismo natural de proteção,
é suficiente um filtro 15", evidencia Aldora Cruz.
Cor da pele e FPS à parte, a ordem é aplicar
o produto regularmente. "Pode ser a cada duas horas.
É necessário cobrir o rosto inteiro, como se
fosse uma máscara, até ficar com um brilho uniforme
discreto. O mesmo deve ser feito nas mãos, outra região
muito exposta também", sinaliza Adilson Costa.
Vale lembrar que o colo, ombros e braços, normalmente
estão cobertos pelas roupas nessa estação,
já que a temperatura começa a cair. E no verão,
a própria preocupação das pessoas com
o sol, faz com que tenham mais disciplina com o cosmético
e fiquem protegidas também nos locais fechados, com
luz artificial.
Fonte: UOL com Ascom do Senac Paraíba |